Pacto com Abraão foi um contrato assinado por Deus Se comprometendo em cumprir a Sua Palavra. Isto implicou na necessidade do Senhor Se submeter aos costumes da época, ou seja, Ele teria que passar pelas metades dos animais sacrificados. Assim sendo, o Senhor firmou um juramento com Abraão.
A princípio, essa cerimônia foi unilateral, já que Deus passou sozinho no meio dos sacrifícios. E por que Abraão também não passou, a exemplo de Deus? Porque ele não tinha nada que pudesse oferecer e, assim, exprimir sua confiança e sua fé na Palavra de Deus. Mesmo tendo um patrimônio de valor substancial, ainda assim não era suficiente para materializar sua fé.
Sabe-se que a fé impõe sacrifício, haja vista a fé de Deus, que Lhe impôs o sacrifício de Sua materialização. A riqueza de Abraão não representava o seu melhor para o pacto com Deus.
Tinha que haver algo muito além daquilo que ele possuía. No seu diálogo com o Senhor Deus,
Abraão manifestou o sentimento de que tudo quanto possuía, até aquele dia, não significava
nada, quando disse: “Que me haverás de dar, se continuo sem filhos?” (Gênesis 15.2).
Para poder entrar em aliança com o Criador, ele tinha de oferecer algo que realmente representasse
o maior bem da sua vida, e isso ele ainda não tinha. Quando finalmente nasceu Isaque, o sonho de Abraão se realizara. O menino representava tudo aquilo que ele mais desejava na vida. Ao chegar, no entanto, à idade de servir como companheiro de seu pai, o Senhor, então, o pediu em sacrifício. Aí sim, Abraão tinha algo realmente de valor para corresponder ao pacto que Deus fizera com ele. Estava em suas mãos o direito de atender ou não ao pedido divino.
O Senhor havia pedido, e não imposto, que ele sacrificasse Isaque, mas a sua fé, sim, exigia obediência à Palavra de Deus, e a obediência exige coragem.
Aprendemos com Abraão o caminho da conquista. Deus lhe havia dado fé e coragem para
materializá-la. Coube-lhe somente seguir os impulsos da sua crença. Com certeza ele não consultou
sua mulher, se deveria ou não atender à voz divina, porque se o fizesse, certamente teria sido
influenciado pela dúvida. O que ele fez, foi movido pela sua própria fé. Havia dentro dele uma
convicção de que após o sacrifício de Isaque, Deus iria ressuscitá-lo.
O texto sagrado mostra isso, quando ele diz aos seus servos: “Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós.” (Gênesis 22.5)
Significa dizer que, da mesma forma como Deus Se materializou para fazer pacto com Abraão,
também este teve que materializar sua fé na Palavra de Deus para corresponder ao pacto com Ele.
Ora, sabemos que a fé é uma convicção abstrata, a qual precisa ser manifesta de forma concreta.
Do contrário, ela não produz nenhum benefício prático. Aliás, é justamente isso o que tem acontecido
com a maioria dos cristãos, que vivem à margem do fracasso. Eles têm crido nas promessas de Deus, mas essa crença não tem sido traduzida em fatos. Para que as promessas divinas sejam materializadas em nossas vidas, temos que primeiro materializar a nossa fé nelas. E, se as promessas têm se traduzido apenas em palavras, é porque a fé tem sido apenas uma emoção.
Muitos cristãos crêem que Deus amou ao mundo de tal maneira, que teve de sacrificar Seu
Único Filho por eles, mas não crêem que para se conquistar as bênçãos prometidas pela fé seja
necessário também o sacrifício. Ora, se não tivéssemos que andar no caminho do sacrifício pela
fé, então todos teriam acesso às bênçãos prometidas. Quer dizer: os incrédulos, os covardes, os ímpios, os mentirosos, os idólatras, enfim, todos aqueles que não renunciam à própria vida por causa da fé cristã teriam o mesmo direito. Acontece, porém, que o próprio Deus diz: “Congregai os
meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios.” (Salmos 50.5)
Bispo Macedo
Foi isso que aconteceu da parte de Abraão para com Deus. Da mesma forma pela qual Ele havia Se materializado, para firmar Seu pacto com Abraão, este também tinha que materializar a sua fé em forma de sacrifício. Aliás, esse é o grande segredo da conquista pela fé. Aquele que não estiver disposto ou não tiver coragem para materializar sua fé, em forma de sacrifício, jamais poderá conquistar os benefícios de sua fé.
Podemos ver isso claramente em todo o percurso dos grandes heróis da Bíblia, e o primeiro a trilhar esse caminho foi o próprio Deus. Ele Se materializou em forma humana, para manifestar Sua real disposição em salvar a humanidade. A Sua fé O obrigou a fazer isso! Ora, se Ele foi obrigado a sacrificar, em razão da Sua fé, quanto mais nós!
Essa é uma das razões por que muitos convertidos e selados com o Espírito Santo infelizmente não conquistam tudo aquilo que Deus lhes tem prometido. Eles têm fé em Deus para receber perdão de pecados; têm fé para receber o batismo com o Espírito Santo, mas, para conquistar a sua terra prometida, a vida abundante prometida pelo Senhor Jesus, a sua fé é teórica. Não é prática, porque falta coragem para atender ao sacrifício que a fé de Deus exige.
Todos os heróis da fé tiveram que materializar a sua fé em forma de sacrifício para obter as suas conquistas. E aqueles que não fizeram o mesmo tiveram que se adaptar às derrotas.

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