
O novo nascimento que o Espírito Santo opera na vida de uma pessoa não se trata apenas de uma mudança de comportamento ou de atitude. O grande milagre se dá justamente na transformação da sua antiga natureza humana e carnal para uma nova natureza divina e espiritual. A troca do caráter natural para o divino acontece de fato e de verdade. Quando Filipe, por exemplo, pediu ao Senhor Jesus para mostrar o Pai, o Senhor lhe respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai.” (João14.9). Quer dizer: a imagem do Deus-Pai era expressa pelo caráter do Deus-Filho. Assim também ocorre com o ,nascido da água e do Espírito; ele tem o caráter divino em si.
E aí fica identificado o
verdadeiro do falso filho de Deus. Uma pessoa nascida do Espírito Santo obrigatoriamente tem sua natureza divina, e não há como esconder isso! O mau
gênio ou o temperamento forte desaparece dando lugar ao caráter dócil do
Espírito. Não significa dizer que ela se transforma num “legume”, incapaz de se
aborrecer ou se irar. De forma alguma, pois o próprio Senhor Jesus tinha a
natureza divina e, mesmo assim, indignou-se ao ver mercadores transformando o
templo em shopping.
Ora, se até Deus se ira, e nem
por isso deixa de ser Santo, também os que têm a Sua natureza. Mas a ira do
filho de Deus é tão passageira quanto uma nuvem qualquer. Já o mesmo não
acontece quando não se tem a natureza divina, ou quando não se é filho de Deus.
Os nascidos da água podem ter
todo o conhecimento bíblico, mesmo assim, eles não têm a capacidade de
controlar seus impulsos humanos, porque sua natureza é humana ou carnal. Creio
ser esta a maior diferença entre os nascidos do Espírito e os nascidos apenas
da água. O fato de muitas pessoas professarem a fé cristã e mesmo assim
continuarem espiritualmente fracassadas se deve basicamente a esse ponto. Elas
foram convencidas no intelecto pela pregação persuasiva do pregador, e não ação
direta do Espírito de Deus no coração. Esse tipo de cristão é chamado de
convencido e não convertido. Estão convictas do pecado, mas não têm força para
resisti-lo. Mas o mesmo já não ocorre com os nascidos do Espírito que têm em si
mesmos o poder divino para resistirem ao pecado. É como o cristão-chuchu e o
cristão-jiló. O chuchu, como conhecido de todos, tem sua característica de
atrair para si o sabor daquilo que cozinhar junto.
Se o cozinha com a carne, ele
toma o sabor da carne; se o faz com o bacalhau, absorve o gosto do bacalhau; se
o cozinha com a goiaba, ninguém é capaz de notá-lo. O mesmo se dá com qualquer
outra coisa, pois ele não tem personalidade própria. O cristão-chuchu tem sua
natureza corrupta naturalmente.
Já o cristão-jiló é diferente. Ao
contrário do chuchu, o jiló passa seu sabor amargo para a comida que é cozida
junto com ele. Assim é o cristão nascido do Espírito; jamais se deixa absorver
pelo sabor do mundo, mas impõe seu “sal”, “luz” ou “sabor” amargo para o mundo.
Por isso, o Espírito, usando João, diz: “Porque todo o que é nascido de Deus
vence o mundo...” (1 João 5.4).
O apóstolo Paulo, exortando os
cristãos que viviam na “casa de César” e enfrentavam grandes desafios de
promiscuidades sexuais e espirituais, disse: “o pecado não terá domínio sobre
vós...” (Romanos 6.14). Em outras palavras: vocês estão sofrendo toda sorte de
tentações pecaminosas, mas não fiquem preocupados porque o espírito do pecado
não tem mais nenhum domínio sobre vocês! Claro! O espírito do pecado possui
domínio sobre os nascidos da carne, mas não sobre os nascidos do Espírito! O
Senhor Jesus disse: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do
Espírito é espírito.” (João 3.6). Em outras palavras: os nascidos da carne
ainda têm a carne como a base de sua vida espiritual. E o espírito do pecado
sempre tem o controle da carne.
Mas isso é impossível acontecer
quando a pessoa é espírito. Pois como o espírito do pecado pode dominar quem
tem a natureza do Espírito de Deus? Ou como o espírito do pecado pode dominar
aquele que é espírito porque nasceu do Espírito de Deus?
Deus os abençoe abundantemente.
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